Ah! O Som Imaginário…

Estou tentando há algumas horas escrever algo que introduza este vídeo. Não consegui. A única definição que posso dar: lindo. Não me canso de vê-lo.

 

O Som Imaginário foi um banda de apoio de Milton Nascimento. Foi criada na década de 1960 tendo como componentes Zé Rodrix, Fredera, Wagner Tiso, Luiz Alves e Tavito. A música que eles estão tocando chama-se Feira Moderna e foi composta por Beto Guedes, Lô Borges e Fernando Brant.

O vídeo possui algumas falhas, deve-se levar em consideração que foi gravado em 1970. É a melhor interpretação que já vi de Feira Moderna, superando inclusive a dos Paralamas do Sucesso em seu disco Acústico MTV. Se um dia eu conseguir montar uma banda, gostaria que ela tocasse no mesmo entusiasmo e qualidade do Som Imaginário.

 

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O Distritamento do 4580

O seguinte texto fala sobre Rotary e Rotaract. Rotaract é um programa do Rotary International, voltado para jovens de 18 a 30 anos, cujo objetivo é a prestação de serviços à comunidade, formação de profissionais éticos, desenvolvimento de companheirismo e liderança além de servir como celeiro de Rotarianos. O Rotary, por sua vez, é uma organização internacional voltada para a prestação de serviços à comunidade. Reúne homens e mulheres que buscam princípios éticos em suas profissões e seja líderes em suas áreas de atuação. O Rotary mantém programas de erradicação da fome, sede e analfabetismo no mundo todo. É o principal responsável pela quase erradicação da Poliomielite (Paralisia Infantil), lutando hoje pela erradicação.

Conheça o Rotary de sua cidade, frequente algumas reuniões e se gostar associe-se. Não é preciso de convite, apenas de vontade. Torne o Mundo melhor, seja Rotariano. Se você tem entre 14 e 18 anos, entre para o Interact Club; se tem entre 18 e 30 anos, seja membro do Rotaract Club. Visite: www.rotary.org

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Fui surpreendido esta manhã pela notícia do possível Distritamento, é este o termo correto, do 4580, baseado no número insuficiente de sócios. Uma campanha, preocupada com a admissão de 12 sócios, afim de sanar o problema foi iniciada. É preciso, às vezes, fazer o papel de “Advogado do Diabo” e analisar os fatos à faca fria. Não será a admissão de 12 sócios que impedirá o Distritamento do 4580. Doze sócios seriam como uma peneira colocada rente aos olhos afim de tapar o sol; ao mesmo tempo que se vira a cara evitando a luz. Não é justo colocarmos sobre o ombro de uma dúzia a responsabilidade pela continuidade ou não do Distrito.

Vamos analisar alguns fatos. O 4580 se encontra em uma área de grande densidade populacional. Em uma análise simples e superficial é possível inferir que a distância entre os municípios que o 4580 circunda, considerando também os que não possuem Rotary, é em média de 30 a 40 quilômetros. É possível atravessar o Distrito de ponta a ponta em algumas horas de carro. São 47 clubes, incluindo-se o e-club, divididos em 32 cidades mais. No sítio eletrônico não encontrei o número de sócios ativos. Provavelmente seja menor de 1200, visto ser esse o número mínimo de rotarianos que um Distrito deve possuir. As “fronteiras” do 4580 são com os seguintes: 4560, 4760, 4410, 4750, 4570 e 4600. Sendo que o 4560 e o 4760 possuem clubes em Minas Gerais; o 4410 clubes no Espírito Santo; 4750 e 4570 clubes no Rio de Janeiro e o 4600 clubes em São Paulo. Vale lembrar que o Rotary International não reconhece nenhuma fronteira a não ser a de seus Distritos. Sobre a atuação do Rotary International é válida uma análise.

O RI trabalha, praticamente, apenas com números. É a escolha mais brilhante que uma organização internacional, não ligada a nenhum Estado, pode fazer. Lidando apenas com números é possível a instituição se adaptar às mais diversas culturas e pautando suas principais ações em resultados tangíveis e verificáveis. Dessa forma ela não esbarra em nenhuma problema ligado a interpretação cultural, econômica, política ou social. O uso do próprio fator de conversão monetária (dólar rotário), em conjunto com a distribuição de Escritórios em alguns países do globo, reforça seu caráter técnico e internacionalista.

Para Rotary Distrito é “um grupo de Clubes dentro de um limite geográfico, estabelecido pelo Conselho Diretor de RI, organizado conforme as normas e propósitos administrativos de RI. As atividades e organização de um Distrito de Rotary devem existir apenas para ajudar os Clubes no avanço de Rotary e não devem diminuir os serviços prestados pelos Clubes e individualmente pelos Rotarianos em nível local.” Esta é uma tradução livre da norma 17.010.1 que define Distrito de Rotary. A norma 17.010.2 já trata do tamanho de um Distrito, afirmando que “um Distrito com larga associação tem vantagens sobre um distrito com um pequeno número de Clubes e Rotarianos, sendo que proliferação de pequenos Distritos tem um efeito negativo na administração e finanças de RI. O Conselho Diretor encoraja todos os distritos com menos de 75 Clubes e 2700 Rotarianos a se esforçarem a atingir estes números e incentiva a fusão com distritos vizinhos ou criação de Distritos internacionais afim de atingir estes números”. Trata-se também de tradução livre. A partir destas normas podemos inferir que estamos muito aquém das expectativas de RI.

O Distritamento pode ocorrer de duas formas: pela vontade expressa do Distrito em se dividir ou fundir, sendo que um novo Distrito só pode ser criado havendo no mínimo 60 Clubes e 2300 Rotarianos, tendo dez anos para atingir o número de 75 Clubes e 2700 Rotarianos (norma 17.010.4 – 4); ou se o Distrito não possuir o número mínimo de 30 Clubes ou menos que 1000 Rotarianos, sendo que a partir de 1º de julho de 2012 este número passa a ser de 33 Clubes ou menos de 1200 Rotarianos (norma 17.010.4 – 7, de acordo com a norma 15.010). No segundo caso, tendo o Distrito 30 ou mais Clubes e 1000 ou mais Rotarianos o Presidente do RI faz uma consulta em cada Clube. Cientes da data do Distritamento os Clubes tem 45 dias para efetuar alguma objeção. Passado esse prazo, a partir da data estabelecida pelo Presidente de RI passa-se a vigorar o novo Distritamento.

Baseado nestas normas acredito que a discussão deve ser muito mais profunda do que uma campanha para arregimentar sócios. É preciso ter noção de um Distrito que não consegue manter-se dentro dos padrões exigidos pelo RI torna-se ineficaz e oneroso. Suas ações acabam se voltando apenas para o DQS, deixando em detrimento outras áreas. Estou no 4580 há cerca de dois anos e meio e não é a primeira vez que escuto algo sobre Distritamento. Se a cada ano for necessário levantar esforço para se atingir um padrão mínimo, dentro de uma década nosso único esforço vai ser atingir um padrão mínimo.

A atual configuração do 4580 é fruto de um Distritamento. Os companheiros mais antigos vão se lembrar que os Clubes hoje no 4410, 4570 e 4570 já compartilharam conosco as mesmas fronteiras Distritais. O Distritamento não deve ser encarado como algo negativo, é o esforço de uma organização centenária em continuar com um trabalho relevante e de qualidade. Não devemos ser egoístas e pensar nossas realidades apenas. Servimos Rotary e nossos princípios e metas devem estar alinhados com seus objetivos. Não deixaremos de ser companheiros porque uma linha imaginária e administrativa foi traçada entre nós.

Peço aos companheiros que me acompanhem na análise demográfica do Distrito 4580. Levando em consideração que na atual conjuntura é necessária a admissão de 12 sócios para se atingir o número mínimo de 1200 companheiros teríamos então 1188 Rotarianos, divididos em 47 clubes (inclusive o e-club). A média de sócios por Clube é de 25 Rotarianos. Baseando-se no que o RI considera como Distrito ideal, com pelo menos 75 Clubes e 2700 Rotarianos, teríamos uma média de 36 Rotarianos por Clube. Sendo este portanto, nos padrões de RI, o número ideal de um Quadro Social para se trabalhar.

Considerando um projeto de DQS visando atingir a média de 36 Rotarianos por Clube, afim de atender os padrões de RI, o 4580 necessitaria de 517 admissões. Um aumento de 43,5% do Quadro Social, distante mais de 43 vezes dos 12 propostos. Se tomarmos como perspectiva o aumento do número de Clubes, mantendo-se a média de 25 sócios em cada e fundando apenas Clubes com pelo menos esta quantidade, o 4580 precisaria de mais 21 Clubes. Um aumento de 44,6%. Em suma, para se manter viável o 4580 precisa crescer cerca de 44,55%.

Analisando os Distritos circunvizinhos ao 4580 na tentativa de um panorama de Distritamento levantei os seguintes dados: O 4560 é, de longe, o mais organizado, possuindo sítio eletrônico com informações atualizadas além de estar em franca expansão. Atualmente possui 1276 sócios divididos em 58 clubes. Apesar de organizado está muito aquém do padrão de RI, mas possui um número mínimo de Rotarianos para evitar um Distritamento sumário (sendo consultado antes). O 4410 também possui sítio eletrônico, não tão bem atualizado, mas com informações recentes. Segundo consta possui 1129 Rotarianos, em um universo de 44 clubes. Portanto, não possui número mínimo de sócio para continuar existindo como Distrito. O 4750 possui sítio eletrônico desatualizado, em que consta a existência de 47 clubes e cerca de 1000 sócios. Também não possuindo número mínimo de sócio para continuar existindo. O 4570 possui sítio com certas áreas atualizadas e outras não. Segundo os dados de Agosto de 2011, eles possuem 67 Clubes e 1310 sócios (apresentando baixa em comparação ao mês anterior). De qualquer forma, possuem número de sócios suficientes para evitar um Distritamento sumário. O Distrito 4600 possui sítio com informações desatualizadas e um blog com informações mais atualizadas. A Carta Mensal mais recente disponível no sítio é a de Agosto de 2011, mas não consegui visualizar nenhuma informação nela. O 4760 não possui sítio eletrônico.

Com base nesses dados, levando em consideração proximidades e número, como também o histórico, é possível apostar na seguinte configuração: Reunificação dos Distritos 4750 e 4570; reunificação do 4580 com o 4410, sendo que parte do 4580 seria incorporado ao 4560. Quanto aos outros distritos circunvizinhos 4600 e 4760 não é possível inferirmos devido a falta de acesso aos dados. Vale ressaltar que esta é mais uma opinião minha do que algo de concreto. Estou levando em consideração os fatores já expostos.

A próxima reunião do Conselho Diretor será em Dezembro, com a perspectiva de análise de um Distritamento do 4580. Se não, deverá ser discutida na reunião de Março de 2012. Vale lembrar que se deliberado um Distritamento na reunião de Dezembro, levando em consideração os prazos de consulta, a decisão se daria na reunião de Março, com efeitos prováveis para 1º de julho de 2015. Se discutido em Março, a decisão se daria em Junho, com efeitos também para 1º de julho de 2015. Lembrando que o Rotary trabalha com preparações trienais para líderes (atual, eleito e indicado).

Desta forma não me posiciono contra o Distritamento, por entender ser esta uma necessidade de Rotary, acima das inspirações pessoais de cada um. Sei que alguns companheiros vão torcer o nariz e dizer que não estou apoiando o Distrito, mas é preciso encarar os fatos com mais frieza.

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O padre cantor na vila dos reacionários (ou sobre como funciona o município de Formiga-MG)

  Formiga é um município mineiro, situado na mesorregião do Oeste de Minas, com 65128[1] habitantes distribuídos em uma área de 1503,8 Km²[2]. Fruto de uma paragem para viajantes que transitavam pela Picada de Goiás, possui 153 anos de emancipação política e uma história basicamente comum às outras centenas de municípios pelo interior do Brasil. A economia é baseada na prestação de serviços, não havendo grandes indústrias. A produção industrial é dividida em unidades fabris de pequeno e médio porte, que atuam dentro de um sistema de economia familiar. A zona rural é retalhada em diversas propriedades e comunidades que vão da subsistência ao latifúndio. A maior folha de pagamento é a da Prefeitura, seguida pela do Governo Estadual e Governo Federal. Existem cinco emissoras de rádio e uma de televisão; três jornais e duas revistas. São 38 escolas, sendo três particulares, vinte e cinco municipais (incluindo-se aí os centros infantis e pré-escolares), nove estaduais e uma federal.[3] A Câmara de Vereadores conta com dez membros, mas sem sede própria.[4]

Dois rios e alguns córregos cortam o perímetro urbano do município. A população está concentrada nas margens do rio Formiga e do ribeirão Mata Cavalos, ocupando portanto sua planície inundatória. Um dos cartões postais do município é uma estátua de Cristo Redentor que situa-se no alto de um morro com vários pontos de erosão. A saudosa EFOM ainda percorre alguns bairros, um deles o Centro[5]. A principal rodovia que dá acesso à cidade, MG-050, é pertencente à empresa Nascente das Gerais, havendo uma praça de pedágio no território municipal.[6] Não há hospital público. A Prefeitura mantém um pronto-socorro nas dependências da Santa Casa e diversas UBS pelos bairros. Os casos de gravidade são encaminhados para Divinópolis, Belo Horizonte e funerárias locais.

Um dos maiores atrativos da cidade é o Lago de Furnas. Formiga é uma das 34 cidades banhadas pela represa, que possui enorme potencial turístico e de lazer. Só de royaltes o município de Formiga recebeu, em 2010, da Eletrobras cerca de R$ 1.632.000[7]. Dos 76 municípios mineiros que recebem royaltes da concessionária, Formiga é o 6º que mais recebe dinheiro pelo uso de seus recursos hídricos. Quem administra os recursos hídricos formiguenses é o Serviço Autônomo de Água e Esgoto, autarquia municipal que rendeu em outubro de 2011 R$ 3.768.100,00[8]. Quase a totalidade das residências e empresas são hidrometradas.

 Faz quase três anos que mudei de Formiga. Precisei sair para trabalhar e estudar, visto o limitado mercado de trabalho que o município possui. Francisco Fonseca estava certo ao dizer que “Já é glória nascer brasileiro, há porém quem feliz assim diga: ‘meu orgulho maior é ser mineiro e mineiro nascido em Formiga’. Eu, com toda certeza, sou um desses. Me preocupo constantemente com os rumos que a cidade toma, quais são acontecimentos mais recentes e o que os administradores municipais estão fazendo. Apesar de meu domicílio eleitoral ser outro, tenho profundo interesse nas agremiações políticas que são formadas, quem são seus participantes e quais seus planos para as eleições que se aproximam. Verifico diariamente os sítios eletrônicos da Prefeitura e Câmara, além do portal Transparência Brasil que dá informação do destino do dinheiro público de todos os municípios brasileiros. Mas, sem sombra de dúvidas, minha maior fonte de informações sobre a cidade, nos últimos tempos, tem sido o facebook.

Acompanho os diversos comentários feitos pelas principais figuras políticas de Formiga em seus perfis. Vereadores, empresários, representantes de associações, presidentes de partidos e alguns cidadãos mais antenados se manifestam diariamente na rede social. Expõem os problemas enfrentados com a administração pública, através de fotos, textos e até vídeos. É a mídia popular se construindo e com ela a força de expressão e opinião. O assunto mais recente, e mais polêmico, é sobre a realização de um show do padre Fábio de Melo.

Fábio de Melo é um sacerdote da Igreja Católica Apostólica Romana, pertenceu inicialmente à Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, os Padres Dehonianos, atuando na diocese de Taubaté, sobretudo na comunidade Canção Nova.[9] Nasceu em Formiga, sendo ordenado em 2001. Me lembro dessa ordenação em especial, transmitida ao vivo pela TV Oeste (emissora de televisão local). Foi uma das primeiras transmissões ao vivo feitas pela emissora. Como Dehoniano ele segue bem seu carisma de “ir ao povo”, usando de sua capacidade musical para levar mensagens religiosas. Acabou fazendo sucesso e tendo projeção nacional. É, para alguns que desconhecem a História de Formiga[10], o filho mais ilustre da cidade. Em comemoração aos seus dez anos de sacerdócio realizaria, no dia 15 de dezembro, um show para a população formiguense. E então nasce a polêmica.

Ninguém garante que o show é uma comemoração ao seu sacerdócio, ou que haveria, como divulgado nas redes sociais, a participação de vários artistas. O uso de dinheiro público para financiar o show também não foi confirmado, nem negado. A única coisa de tangível que temos foi a forte campanha contra o show realizada pelo periódico “O Pergaminho”. Tudo que a mídia veicula passa antes por um filtro. Pode ser um filtro ideológico, econômico, político, social, de vários tipos. Temos então o fato midiatizado, com uma interpretação dada e facilitada devido à redação jornalística. Não existe órgão de imprensa imparcial e todos, apesar do slogan do referido jornal, possuem “o rabo preso”. Afinal precisam de anunciantes para se manterem em circulação.

É preciso deixar bem claro que não estou aqui em favor do padre. A realização do show é irrelevante e não muda em nada a situação do município. Dinheiro público não deve ser usado para interesses particulares e portanto não se pode usá-lo para financiar eventos de caráter religioso, partidário ou que vise lucro. A questão é que o episódio colocou à mostra o funcionamento das oligarquias formiguenses, além da demonstração do reacionarismo da população.

 Quem conhece Formiga um pouco mais à fundo sabe que existem algumas oligarquias dentro da cidade. Uma reprodução, em menor escala, do que acontece no país. Algumas delas se resumem a um sobrenome ou a uma atividade econômica, possuem o controle de empresas chaves para a dinâmica econômica do município, como também de órgãos de comunicação, formando assim a opinião de diversas pessoas. Dividem o poder, sem ocupar cargos. Deixam-nos para outras pessoas de forma a não aparecerem e nem se preocupar com as coisas comezinhas do dia a dia da administração pública. Sua atuação fica mais visível quando os governantes tentam fazer alguma mudança estrutural, tornando, por exemplo, a alteração do fluxo de uma rua em um embate sem precedentes (ou, na língua formiguense, “do nada”).[11] A realização dos eventos públicos seguem seus ditames e normas, atendendo seus interesses. A imensa maioria do povo é aquilo que podemos chamar de macarronada, ou massa de manobra, empurrada de um lado para o outro até ser consumida. Tentam viver normalmente dependendo direta ou indiretamente do poderio econômico dessa minoria controladora.

Há alguns dias Fábio de Melo disse em rede nacional que Formiga estava entregue às drogas, principalmente ao crack. Ele andava pelo entorno da rodoviária e percebia a juventude entregue aos vícios.[12] Observador esse rapaz, constatou o óbvio mas esqueceu de dizer que a juventude se entrega aos vícios com ajuda do dinheiro público que financia a construção de meia duzia de bares.[13] Acabou por dizer a verdade e ofender os donos do feudo. A terra imaculada, quase santa, o rincão abençoado de onde brota leite e mel foi rotulado como uma cracolândia sem limites. Agora o padre ia sofrer a fúria das oligarquias formiguenses e até seu celibato seria colocado em dúvida.

É perceptível que existe um pequeno número de pessoas que desejam controlar a opinião da população. Sabemos que o acesso a informação ainda é escasso e dificultado, ainda mais em uma cidade do interior de Minas Gerais. A conversa na beirada da janela é ainda a forma mais eficaz de saber o que acontece na cidade. Em geral, pelo que posso notar pelas opiniões transmitidas na internet, existem muitos reacionários. Se levantam contra os animais que pastam pelor jardins públicos, mas continuam de cabeça baixa quando o assunto é a estrutura de poder formiguense. O episódio do padre ajuda a entender como esta estrutura age e como as pessoas estão envolvidas nelas. Uma simples apresentação artística revela que existem interesses muito mais sombrios do que o entretenimento da população.

 Não morar mais em Formiga me permitiu analisar a cidade de uma forma mais ampla, como um observador que se afasta do quadro para melhorar a perspectiva. As leituras que fiz e experiências vividas me permitiram construir um arcabouço teórico que me ajuda a compreender o cenário. Cenário deprimente.

É preciso que a população formiguense se torna mais ativa, menos reacionária. É preciso que ela cobre dos governantes o interesse público, não o particular. Deve-se abrir os olhos e ter pensamento crítico sobre as ações dos agentes públicos. Entender quais interesses eles atendem, para quem eles governam e se há, por trás de suas ações, de forma velada, o interesse escuso. Uma das frases mais ouvidas na cidade é que “Formiga não muda, está sempre a mesma coisa”[14]. Isso é porque são sempre as mesmas pessoas compartilhando o poder e a população não percebe. É preciso mudar estas estruturas que, apesar de velhas, ainda estão firmes.

 Parece que devido à todo comentário gerado o padre cantor resolveu cancelar o show. Da mesma forma que não havia confirmação oficial da realização do evento, também não há de seu cancelamento. Atualmente a cidade se move para conseguir doadores a fim de financiar a vinda do sacerdote. É claro que tudo isso pode ser um movimento empresarial, muito bem articulado. Acabou expondo certas feridas e a precariedade com que certos setores são geridos na cidade.

Resta-nos aguardar o desfecho da história e esperar a cobrança do custo politico que toda essa situação gerou. A cidade das Areias Brancas ainda tem muito a esperar.

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[1] Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Censo de 2010

[2] Prefeitura Municipal de Formiga-MG apud IBGE

[3] Informação verificável no sítio eletrônico da Prefeitura Municipal de Formiga-MG

[4] Informação verificável no sítio eletrônico da Câmara Municipal de Formiga-MG

[5] Verificável em http://pt.wikipedia.org/wiki/Efom

[6] Verificável em http://www.nascentesmg.com.br/

[10] Como Historiador julgo Dona Beja a formiguense mais ilustre, seguida pelo intelectual Francisco Fernandes (autor do Dicionário de Verbos).

[12] Parece que isso foi dito em uma palestra/homilia, transmitida pela TV Canção Nova. Não encontrei o vídeo.

[14] A lenda mais popular da cidade é a dos tropeiros que carregavam açúcar e foram surpreendidos por corrimentos de formigas que atacavam sua carga. Em segundo lugar está a que conta que um padre enterrou uma cabeça de burro na cidade. Uns dizem que foi na Praça São Vicente Férrer, outros dizem que foi na Chapada e há quem jure de pés juntos que o Padre Remaclo foi enterrado abraçado com tal cabeça.

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Decepção

Decepção. Está resumida minha semana. Decepção com a capacidade das pessoas, com as opiniões, com as ações.

É lamentável ver o quão reacionária é a sociedade brasileira e o quão longe ela está de alcançar prosperidade. Desejar um tratamento desumano para o igual só porque ele tem uma opinião diferente é o cumulo. Fico impressionado com os comentários absurdos vindo de pessoas que até então considerava minimamente instruídas.

Alguns estudantes da USP, inconformados com os rumos que a atual administração está dando para a Universidade, resolveram ocupar a Reitoria. Até aí nada de mais, afinal é de conhecimento geral que foi através de inúmeras ocupações que os estudantes conseguiram levantar diversas reivindicações. Ocupações que também ocorreram no decorrer das últimas três décadas, durante o período supostamente democrático. A ocupação é uma ferramenta extrema usada pelo Movimento Estudantil para ser ouvido e fazer cumprir suas pautas de reivindicações. É legítimo, como todo movimento popular.

Infelizmente a atual administração da Universidade não quis diálogo e logo solicitou a retirada destes estudantes por meio de medida judicial. Desocupação judicialmente concedida, um prazo, devidamente estipulado, deveria ser cumprido. Os ocupantes resolveram fazer assembleias para discutir os rumos a tomar. Às 05 da manhã, antes de se cumprir o prazo judicialmente imposto, uma força de cerca de 400 policiais armados foi deslocada para a USP. O objetivo era retirar os cerca de 80 alunos ocupantes.

Em meia a uma ação que, sem sombra de dúvidas, foi pautada pelo excesso de ambos os lados, vislumbramos um tratamento violento, truculento e totalmente desnecessário por parte da polícia. Houve agressão gratuita e descabida, ameaças e assédios além do descumprimento da lei.

Logo começaram a surgir nas redes sociais um movimento em favor da repressão à estes estudantes. Fiquei realmente impressionado com a quantidade de pessoas que afirmavam que eles realmente mereciam apanhar, que o cassetete era a solução para eles. Cheguei a ver manifestações a favor de uma punição muito mais violenta. Uma pessoa, publicamente, desejou a morte deles.

E aonde nós vamos parar?

Não concordo com a ação dos estudantes que ocuparam a Reitoria. Deslegitimaram uma decisão da maioria, que já havia concordado em se retirar da FFLCH. Houve excessos na ocupação, como a promoção de uma festa. Não havia uma pauta traçada, nem um plano de ação, faltou articulação. Mas não mereciam apanhar.

Não foi a tentativa de prisão, ilegal diga-se de passagem, de três alunos por estarem usando maconha que causou isso tudo. Isso foi um reducionismo imenso criado pela mídia (seja ela azul, vermelha ou marrom), que acabou convencendo boa parte da população. A tentativa de prisão foi o estopim de uma situação que já vem desde 2005: a ação truculenta da polícia dentro do campus. A questão não é a droga ou a eficácia da presença de uma força militarizada para conter violência, mas sim como esta força age no cumprimento de suas funções. Há na USP, e isso pode ser aferido por qualquer um, uma restrição das liberdades de ir e vir e além do constante constrangimento ocasionado pelas revistas. Alunos são tratados como criminosos, dentro de uma generalização repleta de elementos preconceituosos.

E o que mais me irrita é a horda de preconceituosos conservadores, sem o mínimo de preparação, protegidos convenientemente pela internet, extremamente reacionários e, na minha opinião, profundamente idiotas. Esbravejam contra a esquerda, contra o comunismo, contra a maconha e contra mais uma série de coisas que duvido muito eles saibam o que são. Abraçam o conveniente paradoxo de que os xiitas, como chamam aqueles que não compactuam com sua opinião, merecem a tortura e o descaso. Radicalismo só por parte deles.

E como isso se desdobrou! Wilmar Marçal, ex reitor da Estadual de Londrina afirmou em um texto que os cursos de Ciências Humanas são fáceis e que seus alunos não produzem nada de útil para a humanidade. O que nos leva a pensar que provavelmente ele comprou seu diploma, afinal ele não sabe o que é Método Científico. Um cidadão, nos comentários deste texto, afirmou que a Universidade pública foi criada para os “filhos dos ricos” poderem estudar no Brasil, que pobre não tem esse direito. Então melhor fechar os Restaurantes Universitários e Alojamentos Estudantis, que devem estar às moscas. Essa é a população que diz querer um país com menos corrupção e mais igualitário. Se dependermos dela nunca teríamos saída da Ditadura.

Meus problemas não são com a direita. Entendo os pontos de vista que ela adota, o tipo de sistema que ela prega. Meu problema é com a ignorância humana. É com a massa que espuma pelos cantos da boca ao gritar contra algo em que eles não tem o mínimo conhecimento. Que deseja a violência extremada para contornar as situações inconvenientes. Que parou de pensar (havendo aí o benefício da dúvida, afinal…).

Decepção, profunda decepção.

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Mordaça

Declararam a greve dos professores do Estado de Minas Gerais ilegal. Professores estão fazendo greve de fome. Apanharam da polícia, foram perseguidos, difamados pela mídia. Tiveram seus dias de greve descontados e agora foram calados pela instituição que insiste em se denominar de justiça.

Os Correios entraram em greve há alguns dias e o Ministro das Comunicações ameaça cortar o ponto dos grevistas.

Os Técnicos Administrativos em Educação estão em greve há mais de 100 dias, não há divulgação da mídia de massa e há liminar judicial que obriga 50% do efetivo a trabalhar.

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Não há lei que regulamente a greve do Serviço Público, nem que garanta investimento na área. A mordaça, por outro lado, foi institucionalizada. Até quando será apenas isso?

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Listas e um pouco mais

Estamos há quase 90 dias em greve. Um impasse que já me incomoda e tem me deixado reflexivo. É minha primeira experiência de greve, um acúmulo de curiosidade, ansiedade e medo. Não imaginava que um dia eu passaria por isso e jamais tinha dedicado tempo para refletir sobre o que é uma greve e seus desdobramentos. Creio que quando tudo isso passar eu serei capaz de analisar mais friamente e tecerei algumas considerações. Por enquanto, por estar envolvido em diferentes níveis, prefiro apenas observar.

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Estou realmente animado para ir no Festival de História em Diamantina. É uma oportunidade rara para conhecer Historiadores que nomeiam os frontispícios de nossas leituras; além é claro de visitar Diamantina mais uma vez.

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Hoje senti saudades dos meus amigos.

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Para quem, assim como eu, gosta de listas recomendo o Listology.

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1001

Não tenho conseguido dormir. Pelo menos não nos horários mais ortodoxos.

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A situação é a seguinte, um jornalista lançou um livro há algum tempo com 1001 filmes que devemos ver antes de morrer. Fui verificar a lista e nem chego a 20% do que está lá e olha que eu sou frequentador assíduo de locadoras e cinema (no singular, porque São João só tem um, mas que anda no compasso dos lançamentos), além do download amigo. Tenho alguns gigas livres aqui e paciência de sobra. O desafio é fazer o download da lista completa. Faltam 997.

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Tem também o livro dos 1001 discos, mas isso é pra depois. Esta lista está em mais ou menos 70%  de “audições”.

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Estou em mais uma tentativa de usar o twitter. E em mais uma tentativa de manter este blog funcionando.

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Ainda tenho que ir lá centro e nem faz muito tempo que amanheceu.

 

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Formiga

Pela primeira vez me senti vazio em Formiga, longe, sem razão. As ruas da cidade sem lei continuam as mesmas, não mudam, nós é que somos inconstantes. Formiga se tornou um ponto de encontro, somente. A tendência é se tornar, nas palavras de Drummond, um quadro na parede.

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Estou com muitas idéias que preciso urgentemente colocar em prática e uma delas é retornar meu caderno de anotações. Outra é voltar a escrever aqui com mais frequência, apesar das baixas visualizações. Faz bem para meu ego de pseudo blogueiro.

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Prometo uma próxima postagem com mais conteúdo. Ou não.

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Antropos

Tenho um pé na antropologia. Considero-a uma disciplina irmã da história para a compreensão da humanidade. O Haznos publicou um vídeo interessantíssimo, que acho válido compartilhar.

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Perfeito!

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Reflexões catatônicas em ambiente quente e febril, sem sentido, aos ventos internéticos, para ninguém prestar atenção. Foda-se.

“Pai, continue catando latinha! Mãe, continua lavando roupa pra fora!”

E é assim que o deputado Francisco Everardo tem combatido o nepotismo. Tentando uma triste ironia, sem sentido e com o humor que o caracteriza, o pastelão de vento. Levar os pais, vestido de palhaço, para rede nacional, não é coisa nova neste Brasil, que a cada dia se mostra mais incrível. Nada contra o deputado, que legitimado pela população paulista representa os anseios daquele povo. O Congresso é o retrato do Brasil, afinal é uma parcela da população escolhida para nos representar. Não podemos reclamar de nós mesmos, correto?

Antes de sair de casa eu me considerava de direita, conservador, à favor da ordem e do progresso. Nunca tinha trabalhado e minha vida não era lá muito intelectualizada. Bastou um ano fora de casa, por minha conta que tudo isso mudou. Hoje me considero esquerdista, a favor de uma revolução intelectualizada em nosso meio. O contato constante com entidade de base, partidos, associações me fez repensar, e muito, meus conceitos e paradigmas. Toda vez que vejo Roberto Jefferson defendendo uma reforma política a “favor do povo” fico perplexo, tentando entender como a sociedade aceita, sem pestanejar, uma coisa dessas.

Aguardo, pacientemente (não sei até quando), uma mudança. Sei que preciso agir, preciso contribuir e não apenas sentar e esperar.

Malditas reflexões sem sentido.

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Gripe alérgica. Resultado das poucas horas passadas, até agora, em Formiga. A mudança drástica de temperatura não me fez muito bem. E, apesar de todo mundo aqui em casa estar com frio, não tô aguentando de calor. Vou morrer quando chegar em São João.

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Recomendação do dia: http://coracaopsiquico.blogspot.com/

Vale à pena.

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