Ao entrar na Sala Capítular, ato que já viz incotáveis vezes, exitei. Sim, pela primeira vez exitei. Não pelo fato de ter uma centena de pessoas ali me observando, mas sim porque me sentia bobo. Me sentia diferente. Tomei forças, não sei de onde, acho que a Grande Mãe olhou para mim naquele instante, e entrei na Sala.
À cada palavra dita pelo Mestre Conselheiro, me via cada vez mais diferente. “O segundo cargo mais alto…” Essas palavras ecoaram em minha mente. E estão até agora, procurando um refúgio confortável, de conformismo e eqüidade. Sentia o peso da jóia, da capa, do malhete. Agora, trocava meu tímido posto no Oriente, pelo posto mais alto do Norte e Ocidente. Novos ângulos de observação, de interpretação, de responsabilidades…
Responsabilidade.
Sim, palavra assustadora. Muitos a evitam. Muitos desconhecem seu significado. Mas, no meu caso, eu já pude percêbe-la, vivenciá-la e passar muito aperto com ela. Mas agora, ela está soando de forma diferente. A causa? Alguns falam que é a experiência; muita ou pouca. Eu, particularmente, não me sinto com “pouca experiência”, se assim fosse, não sería eleito e estaría exercendo o saudoso cargo de Organista (êh saudade). Também não sou um poço de experiência. Ainda falta muito caminho para ser andando, e muita coisa para ser aprendida. Tenho uma boa parcela de experiência. Que, tomara, cresça cada vez mais.
Mas, continuando o assunto; não sei porque vejo a responsabilidade de uma nova forma. Medo? Não, não estou com medo. Não tenho motivos para tal. Minha mãe me disse que é porque as responsabilidades são outras. Por isso é vista de forma diferente. Não sei se é assim. As responsabilidades aumentaram, mas não mudaram.
Acho que vou descobrir realmente quando cumprir meu dever. Quando as obrigações, depois de feitas, se tornarem recordações do trabalho bem feito.
Me resta trabalhar e orar. O trabalho dignifica o homem e a oração acalenta e salva sua alma. Agora como Primeiro Conselheiro. No Ocidente. Ocaso da vida.





