Acerca da Liberdade

É plena de gozo a sensação de soltar as amarras que nos mantém cativos junto ao abismo de sombra e desolação que é a incerteza. Da tristeza cotidiana de viver, de escutar os murmúrios do acaso e o ranger do ócio. Ao final de tudo isso, sinto-me livre. Após correr algumas léguas atado ao fardo do desespero e da dúvida, sinto-me livre. Enfim, sinto-me livre. Livre.

E após todo esse processo. Após sentir, mais uma vez, a dor daquilo que não foi e daquilo que poderia ter sido, me vi forte o bastante para soltar as amarras. E diante de tudo consegui me erguer. E diante do mais danoso e perverso me levantei. Agora caminho livre, pleno de entendimento, sem nada que me sufoque. Sufoque.

Desde o princípio já sabia que não poderia ser. Já sabia que estava fadado ao erro de tentar e falhar. E ébrio de esperança inócua me entreguei. Mas ao fundo mantendo o coração consternado, esperando o golpe final. E ele veio, não para matar, mas para me deixar mais forte. Forte.

Agora, livre, pleno, caminhante, sigo. Longe de qualquer amarra, livre de qualquer prisão. E por ser solto assim, entendo o risco que corro. Mas de nada vale a vida sem risco. Mas de nada vale um risco sem vida. Um risco vivido, um perigo intenso, aproveitado, puro. Puro.

Liberdade. Livre de tanta limitação, de tanto erro, de tanta angústia. Enfim livre. Livre para se encantar e apreciar, livremente entender, quem sabe amar, sobretudo viver. Deveras livre. Deveras.

 

Sobre Bruno Henrique Fernandes

Nasci em Formiga, interior de Minas Gerais, em 1991. Filho de um lar de pais amorosos, preocupados e incentivadores. Em minha adolescência pude participar de vários grupos e organizações, tendo destaque o Interact Club e a Ordem DeMolay. Sou graduado em História pela Universidade Federal de São João del-Rei e atualmente faço meu mestrado, também em História, pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Trabalho como servidor público, Técnico Administrativo em Educação, na UFSJ desde 2009, tendo exercido a maior parte das minhas funções na área acadêmica. No campo da História meus interesses perpassam pelas sociabilidades ilustradas, religiosas e esotéricas. Minha pesquisa de Mestrado foca em compreender a Questão Religiosa, conflito entre maçonaria e igreja católica no Brasil no final do século XIX, através dos periódicos, levando em consideração a província de Minas Gerais. Tenho desenvolvido estudos sobre a historiografia maçônica e de algumas organizações que se instalaram no Brasil nas primeiras décadas do século XX. Sou Umbandista, praticante de Umbanda Omolokô. Sou filho de Xangô e Iemanjá, do Ilê Axé Omolokô Ti Oxóssi Ogbani. Entendo a Umbanda como o culto à minha ancestralidade e ao sagrado que vive em cada um de nós. Xangô é o fogo que alimenta meu espírito e Iemanjá é a água que sacia a minha sede.
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