Leite e Mel

A primeira vez que escutei Jackson Carey Frank foi através do Electroma do Daft Punk. A voz ao mesmo tempo firme e suave, grave e serena, logo me encantou. Devo ter escutado I Want To Be Alone cerca de trinta vezes seguidas.

Jackson Carey Frank, ou Jackson C. Frank, nasceu em 1943 e praticamente teve uma vida marcada pelo trauma, depressão, tragédias pessoais e problemas psicológicos. Quando criança teve 50% do corpo queimado, devido a uma explosão na escola. Isso o afetou por toda a vida. Durante o tempo no hospital ele aprendeu a tocar violão e a cantar. Com o dinheiro do seguro vai até a Inglaterra onde grava seu primeiro (e praticamente único) álbum, produzido por Paul Simon. Jackson era tão tímido que tocava atrás de biombos.

Seus problemas psicológicos se agravam e o dinheiro do seguro começa a acabar. Ele volta para os Estados Unidos, onde casa-se e tem um filho. Seu filho, porém, morre de fibrose, o que acaba por piorar sua depressão. Ele passa a morar nas ruas, contrai problemas na tireoide e acaba sendo esquecido pela mídia. Achado por um fã ele é levado para Woodstock, onde começa a gravar alguns singles. Sua sanidade e voz já não eram mais a mesmas.

Enquanto morava nas ruas Jackson acabou levando um tiro de chumbo no olho, o que o cegou do lado esquerdo. Crianças estavam atirando, de forma indiscriminada, com espingardas de chumbo, acertando-o. Jackson Carey Frank morre de pneumonia um dia após completar 56 anos, em 1999.

Nunca fez sucesso em vida, apesar de sua canções serem executadas pelos principais cantores folks americanos. Toda a depressão, melancolia, tragédia e traumas é expresso em suas canções. Uma tristeza reconfortante, aguçada pelo dedilhado do violão e transcendente pelo tom de sua voz. Uma temática cotidiana, que nos faz refletir sobre o percurso da vida e a sua validade.

Há um sítio eletrônico mantido por fãs, desde 1997, como tributo a Jackson. Ele pode ser acessado aqui.

Sobre Bruno Henrique Fernandes

Nasci em Formiga, interior de Minas Gerais, em 1991. Filho de um lar de pais amorosos, preocupados e incentivadores. Em minha adolescência pude participar de vários grupos e organizações, tendo destaque o Interact Club e a Ordem DeMolay. Sou graduado em História pela Universidade Federal de São João del-Rei e atualmente faço meu mestrado, também em História, pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Trabalho como servidor público, Técnico Administrativo em Educação, na UFSJ desde 2009, tendo exercido a maior parte das minhas funções na área acadêmica. No campo da História meus interesses perpassam pelas sociabilidades ilustradas, religiosas e esotéricas. Minha pesquisa de Mestrado foca em compreender a Questão Religiosa, conflito entre maçonaria e igreja católica no Brasil no final do século XIX, através dos periódicos, levando em consideração a província de Minas Gerais. Tenho desenvolvido estudos sobre a historiografia maçônica e de algumas organizações que se instalaram no Brasil nas primeiras décadas do século XX. Sou Umbandista, praticante de Umbanda Omolokô. Sou filho de Xangô e Iemanjá, do Ilê Axé Omolokô Ti Oxóssi Ogbani. Entendo a Umbanda como o culto à minha ancestralidade e ao sagrado que vive em cada um de nós. Xangô é o fogo que alimenta meu espírito e Iemanjá é a água que sacia a minha sede.
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