Uma análise do Primeiro Turno das Eleições de 2018

Escrevi esse texto em 10 de outubro de 2018, no contexto do resultado do Primeiro Turno das eleições presidenciais. Foi publicado em meu perfil do Facebook. Deixo aqui registrado.

Analisando alguns dados: Bolsonaro obteve um pouco mais de 49 milhões de votos. Mais do que Haddad e Ciro somados. Se somarmos os votos dos demais candidatos, eles passam o número de votos de Ciro, mas estão longe dos votos de Haddad e muito mais longe ainda da quantidade de votos de Bolsonaro.

Fala-se em transferência de votos, mas há mais especulações do que certezas nesse campo. Especulemos com um pouco mais de racionalidade.

Não creio que todo eleitorado de Ciro vote em Haddad. E mesmo se isso acontecer, não é possível vencer Bolsonaro. Eleitores de Alckmin e Amoêdo, partidos de oposição ao PT, sendo que o NOVO declarou neutralidade (e neutro, meus amigos, é só o sabão de coco), devem votar em Bolsonaro.

Daciolo conseguiu mais de 1 milhão de votos, ultrapassando Meirelles e Marina. Creio ser esse o “efeito Macaco Tião”. Caricato, oriundo de um partido pequeno, o PATRIOTA antigo PEN, teve um ótimo desempenho. Talvez parte dos votos aqui podem ir para Haddad, mas creio que vão engrossar Brancos e Nulos.

Meirelles é do MDB. Seus 1 milhão e 200 mil votos são uma incógnita. O cara lançou candidatura sem apoio do próprio partido. Mas é o efeito Amoêdo: poder econômico conta muito em uma eleição. De toda forma, acho mais certo essa turma apoiar Bolsonaro do que Haddad.

Marina foi uma espécie de cavalo paraguaio. Sempre insisti que sua ascensão se deu pelo acidente com Eduardo Campos em 2014. A comoção com a morte do candidato levou ela a figurar nas pesquisas como provável disputa no Segundo Turno. Amargou terceiro lugar. A prova veio agora, ficando em oitavo. Talvez seus eleitores possam migrar para Haddad.

Álvaro Dias tem seu nome circulando em correntes de Whatsapp desde a queda de Dilma. A lenda que uma mãe de santo previu que ele seria Presidente do Brasil. Bom, acho que só ele acreditou nessa mandinga. Seus quase 900 mil eleitores devem votar em Bolsonaro. Seu partido PODEMOS, antigo PTN, se declara não ser nem de esquerda, nem de direita, mas para frente.

Boulos e todo o PSOL tem forte simpatia pelo PT. Creio que esse eleitorado vote em Haddad. O eleitorado de Vera, do PSTU, nem tanto. Mas pela configuração do cenário, talvez haja alguma transferência de votos.

Ainda temos Eymael e Goulart Filho que não se elegeriam nem para Deputado. Mas numa virtual disputa voto a voto, como em 2014, esse fiel eleitorado se torna o fiel da balança.

Temos uma massa de 40 milhões de brancos e nulos que deve aumentar no Segundo Turno.

Olhando para esse cenário, duvido muito que Haddad ganhe. Se o fizer, vai ser apertado como fez Dilma em 2014.

O eleitor de Bolsonaro não muda seu voto nem se Cristo ressuscitado, coberto de chagas e chorando sangue pedisse. Ele não liga para projeto, para ideologia ou para qualquer coisa. Tem que tirar o PT do poder, apenas. Se isso vai custar suas férias remuneradas, seu décimo terceiro, parte do seu salário ou o que for? A culpa é do PT que quebrou o país. Se seus direitos, liberdades ou qualquer coisa for retirada? A culpa é do PT. Se tiver que pagar escola, consulta ou ter que aderir a Previdência Privada? A culpa continua sendo do PT.

Não adianta usar redes sociais. A bolha do Facebook me mostrou Ciro ganhando para Rainha da Inglaterra. O que você fala aqui, mostra aqui, expõe aqui, atinge um número tão pequeno de pessoas, que dá até um tom de ironia na coisa. Gastem suas energias em estudar, aprender um novo idioma, aprender um artesanato legal.

Se nem Ciro, nem Amoêdo e nem Marina conseguiram atingir brancos e nulos, não vai ser seu stories que vai fazer.

Está assustado pelo preconceito de amigos, familiares e colegas? Olha, não quero colocar lenha na fogueira, mas eles sempre foram assim, ok? A Tia Cotinha não gosta de viado.

Não adianta apelar para religião. Lá em Mateus, Jesus fala que é melhor ter um membro arrancado do que ter o corpo todo lançado ao inferno. Em Lucas fala numa parábola pra matar os inimigos. Em João ele desce o sarrafo nos camelôs do Templo. Fora o Velho Testamento, que o bicho pega. É muita gente que não sabe o terço e quer ensinar o crente a ser cristão. Minha gente, para que tá feio.

Provavelmente Bolsonaro é o próximo Presidente. Espero estar completamente errado, mas os dados mostram isso.

Futurologia? Crise aprofundada, sucateamento de serviços públicos e onda de violências.- Economizem. Cortem supérfluos desde já. Invistam em algum fundo mais conservador. Comprem dólares. Penhore joias. Tenha patrimônio para uma liquidez rápida em casos de emergências.

– Pratique exercícios e faça uma alimentação balanceada. Beba água. Preocupe com sua saúde agora. Talvez será preciso se desdobrar em mais de uma função e ter uma saúde equilibrada é essencial.

– Se você é funcionário público, comece a investir em um plano B. Algo para complementar sua renda no futuro ou abandonar o serviço público.

– Se você é aposentado ou pensionista, se preparem que Paulo Guedes vem aí.

– Se está com medo da onda de violências, aprenda defesa pessoal, passe a andar em grupos, evite sair a noite. Todo cuidado é pouco. Exclua redes sociais e evite chamar a atenção.

– Tire o passaporte. Se não tem, tire o passaporte.

Parece brincadeira, mas não é. Pessoalmente vejo muito mais racionalidade em preparar-se para um futuro de dificuldades do que ficar discutindo a irracionalidade de Bolsonaro com seus eleitores. É aquilo, alguém conhece algum eleitor do Collor?

Sobre Bruno Henrique Fernandes

Nasci em Formiga, interior de Minas Gerais, em 1991. Filho de um lar de pais amorosos, preocupados e incentivadores. Em minha adolescência pude participar de vários grupos e organizações, tendo destaque o Interact Club e a Ordem DeMolay. Sou graduado em História pela Universidade Federal de São João del-Rei e atualmente faço meu mestrado, também em História, pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Trabalho como servidor público, Técnico Administrativo em Educação, na UFSJ desde 2009, tendo exercido a maior parte das minhas funções na área acadêmica. No campo da História meus interesses perpassam pelas sociabilidades ilustradas, religiosas e esotéricas. Minha pesquisa de Mestrado foca em compreender a Questão Religiosa, conflito entre maçonaria e igreja católica no Brasil no final do século XIX, através dos periódicos, levando em consideração a província de Minas Gerais. Tenho desenvolvido estudos sobre a historiografia maçônica e de algumas organizações que se instalaram no Brasil nas primeiras décadas do século XX. Sou Umbandista, praticante de Umbanda Omolokô. Sou filho de Xangô e Iemanjá, do Ilê Axé Omolokô Ti Oxóssi Ogbani. Entendo a Umbanda como o culto à minha ancestralidade e ao sagrado que vive em cada um de nós. Xangô é o fogo que alimenta meu espírito e Iemanjá é a água que sacia a minha sede.
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